ok, eu sou um borderliner.
o problema é até onde vai a borderline: cada semana eu me provo capaz de ir mais e mais distante do ordinário.
barba por fazer, cabelo bagunçado, com sono, ressaca, sangue na camisa, e bolhas sob a pele. estou altamente disfuncional e intoxicado. perigosamente auto-destrutivo. mal sinto esse corpo como meu. me vem à cabeça aquela cena do escritório de clube da luta, o modo como meus chefes e colegas de trabalham olham pra mim hoje, agora.
começou sexta: fomos na end-up, para ouvir enjoy.
a end up é uma boate gay que fica na savassi, próxima a contorno. o público é quase todo composto por homens gays, 30/50 anos, com fetiche por menininhos de esmalte.
enjoy é uma banda excelente de technopop e adjacências, com covers que vão do arqueozóico kraftwerk até uns indies mais recentes como radiohead, recheado sempre por muitos depeche modes. a melhor coisa que já ouvi ao vivo depois de pato fu.
divertidíssimo! quem apresenta os espetáculos é uma drag com vários números preparados, sempre provocando o público. já o show começou morno, acho que os meninos não estavam a vontade com as brincadeiras da drag. mas a medida que a pista enchia, o som encorpou, e eu dancei horrores. acho que fiz sucesso com os titios, não tem como ouvir depeche mode e não dançar bem viadinho! é a melhor parte! tocaram tainted love do soft cell (vou postar a letra, é muito significativa), uma versão extendida de enjoy the silence e até atenderam a pedido meu, com a rush. sei que sábado tocaram de novo, mas sábado eu tinha compromisso... sábado que vem, outro show, no mesmo lugar. se eu não for pra fazenda da renata, estarei lá.
sábado foi um dia pesado. fui à contagem, num bairro cheio de fábricas fumacentas, galpões antigos, sujos de fuligem e sucateiras. surreal. me senti em um cenário de mad max.
almocei uma marmita de mexidão e feijão tropeiro em um barzinho copo sujo, e até agora sinto as consequências. à tarde, trabalhamos produzindo esse livro, desse trabalho final dessa tal matéria produção de livros. ficou muito bom, e estou apaixonado com macintoshs. meu trabalho rendeu muito mais! se eu tivesse um daqueles, economizaria horas e horas de trabalho.. e aquele mouse com infra vermelho, que lazerrrr pra desenhar... quando descobrir um servidor gratúito que funcione pra colocar minhas imagens online, posto a capa do livro. à noite, uma cervejinha noutro barzinho, com direito a chuva, frio e caldo de feijão.
acordei domingo arrasado. tive o pior pesadelo da minha vida.
estava nessa festa, no apartamento novo da rita. lá estavam também a família dela e a minha. não conseguia comportar normalmente, me sentia sujo, e todos percebiam que eu estava ficando louco. completamente neurótico e paranóico. me despi na frente de todo mundo e corri ao banheiro pra me lavar. quando esfreguei minhas costas, descobri que a pele estava completamente podre e necrosada (bem onde eu atravesso os ganchos). era uma carne preta e vinho, viscosa. não havia como limpar, pois aquilo era parte de mim.
então a rita me chamou ao quarto, e me disse coisas doces, abriu o coração, como um dia ela já foi. e eu não resisti, e comecei a chorar. Nesse momento chegou um cara lindo, o novo namorado dela, e os dois riam, me humilhavam e trepavam na minha frente.
o sonho continuou, tão ruim ou pior. eu não vou descrever detalhes pra ver se consigo esquecer. sei que quando acordei (numa puta crise de rinite e com dor de cabeça), com aquela mancha desconhecida no teto, naquele quarto estranho, sentei na cama e fiquei um bom tempo calado, assustado, e quieto, tentando desgrenhar aquele sonho ruim do meu cabelo.
atravessei a cidade chorando no ônibus. em casa, mal tive tempo de tomar uma ducha e comer três salgados horríveis descongelados no microondas. estava atrasado pra body suspension no estúdio do gastão.
cheguei lá passando muito mal, estômago, cabeça, todo o meu corpo estava vivo, girava, mechia e remechia.
suspendi primeiro, com quatro ganchos de quatro milímetros, que doem muito mais que os de seis. a dor é impressionante, maior do que eu esperava. todo o peso que não sentia em mim, sentia no meu aparelho digestivo, era como se a qualquer momento minha barriga fosse abrir e eu fosse me expor vísceras pro mundo. dor dor dor dor. aos poucos a adrenalina transformava em raiva, e fui superando meus limites. consegui levantar os braços, as pernas e até me balancei bem alto. minha pressão sanguínea era uma verdadeira montanha russa.
brincamos com ganchos até a noite, quando decidimos tomar cerveja. uma das loucas da minha vida apareceu por lá. uma dessas que veio com esse papo de sexo hardcore. a paula.
mas a outra louca está certa, eu preciso de colo. eu sou patético. eu quero sexo, eu quero lazer for fun, mas não é a coisa mais fácil pra mim. me envolvo com as pessoas, e tenho uma tendência natural a me sentir um objeto, um brinquedo quando percebo que quem está comigo está tão mais na superfície.
acabamos na casa da lili, todos no sofá. o zumberto acabou ficando com a paula, que continuou me acariciando de um jeito estranho, em lugares estranhos.
do outro lado, o felipe e a vivi quase trepando. o zé e a paula foram embora, a lili foi tomar banho, e fiquei sozinho na sala do lado daquele quase sexo explícito.
foi um saco. aquilo me fez muito mal. eu me senti extremamente sozinho.
[esse pedaço desse post foi censurado, dia 4/12. não posso ser tão explícito com o nome dos outros]
mulher é mesmo foda. em todos os sentidos e significados.