terça-feira, dezembro 31, 2002

sou assim, como me lê.
(ou: introducing the pleaselovemeboy)

quando triste, não cutuco feridas. enfio meu braço bem dentro, pra me descobrir vísceras. não posso ser bonito quando sou feio.

quando feliz, não tenho reservas. amo o mundo e saboreio todas as cores e detalhes invisíveis.

sou a cobaia. experimento vida com olhos, dentes, língua e peito aberto. me desenho, e ao meu caminho áspero (nina!)

drámatico não sei. não alimento a cena, nem tenho essa capacidade. o que carrego bem dentro é mais, e bem mais do que posso escrever. escrevendo, sou um frustado. raramente algo meu me comove, resgata o que senti. é sempre mais prepotente ou muito estúpido, me resta apenas uma satisfação barata pelo esforço e lição.

se te toca, não é muito mais que coincidência, não sou poeta nem escritor. antes do blog, que não tem mais de um mês, foram quatro anos em jejum. nenhuma palavra sobre nada essencial. o que mais tenho são limites, e o único ponto positivo é minha nescessidade absurda em ser compreendido. não quero morrer sem nem a ilusão do entendimento. eu tenho que me dividir, preciso me expressar. tenho que entrar em você, e te tocar de alguma forma.

não suporto solidão. se me vendo barato, é esse o motivo. essa é a minha desculpa.

sou só isso.

o que posso é esse visco fervido, e essas poucas bolhas que se explodem ao acaso.

segunda-feira, dezembro 30, 2002

true love will find you in the end
your gonna find out who was your friend
don't be sad I know you will
but don't give up until…
true love will find you in the end
this is a promise with a catch
only if your lookin' can it find you
cause true love is searchin' too
how can it recognize you
unless you step out into the light..ight
don't be sad I know you will
but don't give up until…
true love will find you in the end
don't be sad I know you will
but don't give up until…
true love will find you in the end
your gonna find out who just was your friend
don't be sad I know you will
but don't give up until…
true love will find you in the end
true love will find you in the end
true love will find you in the end
true love will find you in the end

(true love will find you in the end, wilco)

domingo, dezembro 29, 2002

aviso: post light adiante (pra quebrar o gelo).

ah, tô feliz (=

e não sabia que o desenho ia incomodar tanto assim. ok ok, não sou nenhum monstro. é que minha auto-estima anda em baixa mesmo, mas como sou borderliner bipolar, não há porquê se preocupar: hoje tô bem melhor! e apesar desse tanto de coisa feia que escrevo, juro, sou inofensivo. a não ser que você seja um norte-americano bêbado na porta da obra às 6 da manhã, me chame de bawyou-lah e me dê um tapa na cara, não represento risco algum pra ninguém.

...

hoje (ontem) foi um dia estranho. acordei de noite, e fui ver As duas torres.

o filme é lindo! se alguem for ver, me chama, que pretendo ver de novo. chorei várias vezes. a primeira, porque me identifiquei com sméagol. das outras, pelo mesmo motivo que aquele cara do Hable con ella. o filme é lindo, destroça o coração não ter ninguém pra dividir aquilo. tudo bem, eu fui com meus tios e priminhos, mas não é a mesma coisa.

depois do cinema, vaguei pela savassi e acabei convencendo pessoas para irmos a obra. estava um inferninho. chegamos às três, não havia lugar para dançar direito e a discotecagem não era o que eu esperava. dançamos até umas seis, e fui pra porta conversar um pouco. então surge o idiota:

- voce tem owm cegarrow?
- não, me desculpe.
- bawyola, voce no me entende? quero um cegarrow.
- não tenho.
- bawyola...
- não, corno.
- como bawyola?
- não tenho babaca.

ele me dá uma testada.

- eu não quero brigar.
- o que foi bawyola?!

outra testada. eu levanto.

- qual que o seu problema?

me dá um tapa na cara. eu nem pensei: dou um murro na cara do sujeito, e antes que ele pudesse revidar, dou outro. ele se agarra na minha blusa, e eu caio no chão. ele escora na parede.

acabou por aí. ele cntinuou aporrinhando, mas não fez nada. nem eu. fiquei mais preocupado com o menino que eu tava conversando na hora da confusão que com o idiota do americano.

foi minha primeira briga, fui mais frio do que eu imaginava.

resultado: um machucadinho na minha mão, e uma estorinha no meu blog.

...

de lá fomos pra um barzinho, ficamos conversando até umas oito. foi divertido, principalmente pra mim que acordei ontem de noite e ainda tô sem um pingo de sono.

hoje, se eu soubesse onde está o meu scanner, faria um desenho bem bonito pra postar.

sexta-feira, dezembro 27, 2002

auto retrato:



insônia.

tirei o piercing do mamilo direito. desisti.
eu queria escrever uma coisa antes de dormir.

é bonitinho você dançando, hoje eu vi.

quinta-feira, dezembro 26, 2002

emo%20kid
*how emo are you?*

brought to you by Quizilla


ok, ok. eu não gosto muito de hardcore, e indie não é meu forte.

quarta-feira, dezembro 25, 2002

gabella: aki eh sempre triste assim?!... nao pode

eh. awm... você tem razão! acho que vou postar alguma coisa bonita! lá vai...

anteontem eu soquei um saco de areia até a minha mão inchar e sangrar, ha ha! olha só! que idiota! ha ha ha!

mais uma!..

perdi meu lápis de olho, no carro do meu tio mais machista! por conta disso, ele e minha tia quase tiveram uma briga conjugal... quem resolveu a estória foi meu pai, o segundo mais machista da família!

- deve ser do marcello. (puto)

ha ha ha! foi tão engraçado!

....

plagiando a idéia do screw, vou colocar uma foto engraçada. pra elevar o espírito. o nome da foto é esquilos mortos jogam cartas:



principalmente depois de empalhados. olha que picareta, o esquilo da direita! espionando as cartas do seu amigo pelo espelho! ha ha ha... que pilantrinha!

essa eu acho mais bonitinha:



sim! coelhinhos em uma sala de aula! aposto que vc soltou um "ooooohhhh how cute!" não foi? é estranho pensar que estão todos mortos! poxa!..
pois é. olha só! aquele espertinho, no canto direito, abaixo... copiando o exercício do coleguinha na maior cara de pau! esses coelhinhos empalhados, tsc tsc.

ha ha.
quem eu quero enganar? eu to errado.
...e ela me pediu um beijo,

dias antes de tudo. por espírito de emulação. foi clara.

e então saímos, conversamos. resolvidos, dançamos e beijamos. sei que fui muito claro, e ela também. pelo momento, e só. tinha tudo para dar certo: somos amigos!

no outro dia, saímos de novo, ver filminhos. só fiz cafuné e carinho. ela, foi embora, cara fechada. 5:00 am ela me liga, com uma raiva contida:

- to chateada com você. (o motivo foi nebuloso e confuso, mas teoricamente resolvemos tudo com aquela conversa)

hoje, na urbana, fiquei com a outra. a primeira reação dela:

- eu falei que vocês ainda iam ficar.

no primeiro momento que ficamos sozinhos, veio ela e aquele amigo chato, que tava dando em cima das duas desde a hora que chegamos:

- ha ha. e pensar que eu não fiquei com o fulano pra te respeitar.

silêncio. é preciso pensar cada palavra. conheço o tamanho daquele orgulho, ela espera qualquer falha pra me devorar.

- olha, nós conversamos sobre isso. eu fui bem claro sobre o que eu queria. (surpreso!)

- eu sei. mas eu não fiquei com o cara por sua causa.

- desculpa, mas você não pode me cobrar essa postura.

- eu não estou cobrando nada. só te digo que estou me sentindo uma idiota. ha ha.

- oou.... caraa... ela não quer ficar com você.... hahaha .. ha... (o idiota do amigo, bêbado e impertinente)

- olha rubens, deixa eu conversar com ela (sei lá qual o nome do cara). se você me diz que se sente uma idiota, com esse sarcasmo e essa cara, é óbvio que você tá me cobrando uma postura. você sabe que eu me importo. (minha tentativa de denunciar o joguinho)

- não. eu pensei que você tivesse maturidade pra me entender, mas acho que não. eu não tô cobrando uma postura. tô te dizendo, ha ha, que eu não fiquei com cara por consideração a você. e olha você aí.... (desdém)

- você sabe que não sou assim. mas cansei de ser de outro jeito, não dá mais, tô exausto. nós conversamos sobre isso. você está sim me cobrando uma postura, que não posso ter, agora, e isso é uma sacanagem. eu te falei: quero sair e ficar com minhas amigas. você sabe disso. (puto)

- ou, deixa ela, aê....

ela, brava e irredutível. orgulho ferido.

ah. que saco é ser poligâmico.

e nem achei o robinho grandes coisas, technohouse é muito light. ainda assim, saí de lá oito e pouco. quebrei algum recorde pessoal imbecil.

terça-feira, dezembro 24, 2002

Once there came a storm in the form of a girl
It blew to pieces my snug little world
Sometimes I swear I can still hear her howl
Down through the wreckage and the ruins
And it ain't gonna rain anymore
Now my baby's gone
And it ain't gonna rain anymore
Now my baby's gone
Now the storm has passed over me
I'm left to drift on a dead calm sea
And watch her forever through the cracks in the beams
Nailed across the doorways of the bedrooms of my dreams
And it ain't gonna rain anymore
Now my baby's gone
And it ain't gonna rain anymore
Now my baby's gone
Now I got no one to hold
Now I am all alone again
It ain't too hot but it ain't too cold
And there is no sign of rain
And it ain't gonna rain anymore
Now my baby's gone
And it ain't gonna rain anymore
Now my baby's gone
And I'm
Here I'm on my own
She ain't coming back no more
She ain't coming back no more
She ain't coming back no more
Say what you will, I don't care
And it ain't gonna rain anymore
Now my baby's gone, yeah
And it ain't gonna rain anymore
Now my baby has gone

( Ain't Gonna Rain Anymore , Nick Cave)
... e conversamos tanto, tudo, todas.

ele conhece a primeira ruiva, a desilusão original. e também teve a sua, homônima, por acaso.

depois, encontramos com as meninas e fomos para a vulcano esconder da chuva. na tv os clipes de idioteque, creep, e fake plastic trees... putz, que saudades de uma época!

creep foi a música da primeira ruiva de todas. fake plastic trees me lembra o bernard e a ju do CSA. que saudades do bernard... já a ju eu vi hoje, mas muito pouco tempo, poderia ser mais. ela disse que ia me mandar um e-mail com detalhes do reveillion na posse, mas não sei se é mesmo uma boa idéia. mesmo se eu fosse, ia sobrar.

portanto, se alguém vai em alguma festa com eletrônico na passagem de ano, por favor me avise. pro natal eu já sei: devo ir na urbana. vai tocar technohouse, quem quiser ir comigo me liga.

after hour até as 9 da manhã.
She says, Hey babe
Take a walk on the wild side
She said, Hey honey
Take a walk on the wild side

And the colored girls say,
doo do doo do doo do do doo.....
nossa que preguiça que eu tô de justificativas.
desânimo. tédio.

realmente, foi um dia inusitado. é impressionante como o círculo se fecha, conectando todas as coincidências. e no final das contas, eu que indiquei o caminho! ha ha ha

bom demais conversar com o rogério. é quase como quando monologo com minha razão. ele é meu melhor exemplo de existencialista, e a concilia com pureza e sensibilidade. contraditório, e complementar. eu me vejo nele, é uma terapia.

agora é mais claro, vejo melhor a imagem completa: entrei no jogo, me apostei de novo. a diferença é que estou do outro lado do vidro, onde é mais confortável e seguro. é muito melhor do que sofrer por alguém, mais administrável. tenho um pouco mais de controle.

mas... falta um pouco de pimenta. por enquanto to achando meio chato.

segunda-feira, dezembro 23, 2002

falta a substância.

mas não é o vazio, como coloco; é a minha pitada de tragédia.
também não sou um devasso. ou sou? é o momento e só.
ainda acredito em amor sim. em encontrar alguém pra me dividir, e toda a minha vida.
mas não tenho mais a disposição o energia de investir em ninguém.

não há ninguém mesmo.

quando acontecer, lindo. não vai nascer de mim.
enquanto isso ou vou levando, essa paixão em gotas.
essa libertinagem comedida, contida, conformada.

...sapeca.
naughty, naughty behavior.

Bondage%20Bear
Which Dysfunctional Care Bear Are You

brought to you by Quizilla

domingo, dezembro 22, 2002

sem maquiagem. sem aliteração.

sem vínculo, perspectiva, direção.

sem fé, espírito ou coração.

que fodam-se todos. sem excessão.

quem se importa? eu não.

só por espírito de emulação.

sábado, dezembro 21, 2002

acho que ela trocou de blog /:
vale viver voltado ao vazio?

hem hem hem?

sexta-feira, dezembro 20, 2002

morno, médio. merda.

chorei tanto o final de semana que me aliviou a tensão. não sei o que quero, mas sei que não quero estar sozinho. yeah, to carente.

nem me assusta mais a idéia de fucking friends.

ah, fodam-se os princípios. mesmos os meus.

eu sou livre, não sou?

sou.

quinta-feira, dezembro 19, 2002

quarta-feira, dezembro 18, 2002

umbiguismo.

fiz a barba. agora é que não me reconheço mesmo no espelho. ainda mais com o cabelo tão certinho.

¦-(
vou tentar agora escrever sem jogar com as palavras. preferia te mandar um e-mail mas eu não tenho seu endereço.

>>>

não são agulhas o objetivo. é uma coisa de menino, de falar o que sente, direto, espontâneo, quase impulsivo. é a minha impressão do momento, sem (ou quase) reservas, que fica registrado. é o que me sustenta. eu gosto de reler e pensar que eu tentei realmente ser sincero. fui aquilo.

sei sim que é um jogo meio bobo, mas me distrai escrever aqui. meu blog é inútil, um desserviço (é assim que se escreve?) até. hoje eu percebi que tudo o que escrevi é melancólico, pesado e abrasivo e isso me incomodou de verdade. tentei escrever um post bonito mas não consegui, bom-humor não foi o suficiente pra mudar minha perspectiva.

sabe, no ano que te conheci, conheci também uma outra menina, que foi minha primeira paixão, desilusão e trauma (nessa ordem). fiquei anos remoendo até o dia que decidi escrever uma carta com aquilo que eu achava que ainda precisava ser dito. foi mesmo uma boa idéia, tão boa que nem precisei mandar a carta. nem havia mais um motivo, pois o que ela tinha a ver com o que eu sentia? era problema meu, aquilo eu escrevi pra mim. essa carta, eu não precisei queimar, rasgar, ou guardar. esqueci por aí, perdi em qualquer lugar. perdeu a importância, sabe.

talvez aqui eu faça a mesma coisa. uso palavras como esterco e fico satisfeitíssimo. me resolve. a diferença é que eu quero sim dividir isso com alguém, me dá prazer me colocar assim pra todo o mundo. é como sair de casa de maquiagem. sabe, é muito mais difícil quando você mora no bairro que eu moro, quando seu transporte é coletivo. mas eu não me importo, pois gosto de me colocar assim, como eu sou, e acho que o mundo tem a obrigação de me aceitar. não gosto de máscaras ou personagens. você não imagina o conflito que cai quando me disse o contrário no café. naquele dia lindo.

olha, eu mal me entendo. você, melhor do que muitos sabe disso. dou voltas e voltas em espiral, mas nunca chego ao centro (juro que me esforço). mas você pra mim é quase toda mistério. impulsiva, imprevisível, idependente. realmente não sabia se ainda me lia, ou mesmo que se importava com qualquer coisa que escrevo.

mas sei lá. não vou pedir desculpas. nem tudo o que eu escrevo é pra você, e nunca escrevi nada tão pesado assim. quando escrevi algo ruim, foi momento. nós dois sabemos como é agir por impulso.

mas não quis te magoar. não vou mais citar seu nome. e não estou com raiva.

triste, com um montão de coisa (e cansado de ficar assim).

não com você.

e foda-se o que escrevi ali em cima. vou pedir desculpas sim.

me desculpa se eu estou tão perdido e te machuquei também.

de coração.

terça-feira, dezembro 17, 2002

I am the son
and the heir
of a shyness that is criminally vulgar
I am the son and heir
of nothing in particular

You shut your mouth
how can you say
I go about things the wrong way
I am human and I need to be loved
just like everybody else does

There's a club if you'd like to go
you could meet somebody who really loves you
so you go, and you stand on your own
and you leave on your own
and you go home, and you cry
and you want to die

When you say it's gonna happen "now"
well, when exactly do you mean?
see I've already waited too long
and all my hope is gone

You shut your mouth
how can you say
I go about things the wrong way
I am human and I need to be loved
just like everybody else does

(how soon is know, the smiths)
ok, ok. a vida não é tão ruim.

e não sou tão louco, afinal.

nos últimos seis meses, fui uma pessoa pior, na busca por algo melhor. e daí? estou longe de saber meu limite. talvez nem tenha um desses.

sábado, na porta da obra, três da manhã. meu coração batia tão rápido que pensei que ia quebrar alguma costela.
não é masoquismo o que me leva a este tipo de situação tão imbecil. mas esperança. aquele 0,1% de chance de que as coisas saiam como se gostaria.

entro ou não entro?

"todo mundo tem seu grilo falante. o problema é que alguns estão sempre de férias." disse o rafael. e a gente foi pras mesas do café. falar de perdas, e decepções.

foi uma noite desolada e triste de verdade. os dois sem escudo ou carapaça. com a ferida aberta e os intestinos a mostra. até fumei, depois de dois anos e meio limpo. não foi de todo ruim. então percebi que estou olhando pro lado errado. é hora de colocar meu coração na coleira, me envolver mais com meus amigos.

uma amiga postou um pedaço de heaven knows i'm miserable now dos smiths. perfeito! se tivesse fé, essa seria uma mensagem secreta de deus para mim.

In my life
Why do I give valuable time
To people who don't care if I live or die?


resolução de fim de ano: então sou uma pessoa melhor. pelos meus amigos.

é meloso, não me importo. rafa, te adoro cara. meu grilo falante.

segunda-feira, dezembro 16, 2002

40 minutos de atraso, esperando na chuva. quase um zumbi.

o ônibus lotado, não há lugar para sentar, ou espaço para respirar. encosto a testa no suporte de alumínio e fecho os olhos. parece uma prece, e sei que é estranho. mas não importa, pois é preciso.

a cadeira em frente vaga, e me sento. já estamos no shopping, em 10 minutos, trabalho. sobe uma mulher de uns trinta anos, com sacolas e um olhar que exige seu direito à cadeira. não levanto, nem me ofereço pra carregar nada, não consigo. cada músculo do meu corpo também exige que eu fique imóvel. os olhos ardidos, o rosto queimado, o coração bate fraco e cansado. mal bombeia meu sangue. minha cabeça queima, e gira, não para de remontar todas as cenas/possibilidades.

minha mãe achou que era só ressaca, uma amiga, que era falta de sono. a nathalia percebeu, me deu um abraço que valeram lágrimas (ainda haviam lágrimas).

definitivamente, fechado para balanço.
sentindo uma dor completamente nova, não acho que posso suportar. desesperado, dilacerado, acabado, perdido, e completamente sozinho, traído. principalmente traído. eu amei os dois, eu nunca amei ninguém, mas os dois sim. da maneira mais pura e mais sincera. e me lembro bem o dia que os apresentei, tinha 17 anos, era um dia de sol, caminhamos os dois para encontrá-la. ela estava de mal humor, ams não importa, rui plenamente feliz pois tinha em 3 metros quadrados tudo o que jamais importou realmente. eu perdi, não existe no mundo uma maneira pior de ter acontecido. estou desesprado, escrever doi, não quero escrever bem, só quero me conectar com algo, vo~^ não faz ideia do que sinto agora, não faz sentido. nada mais faz sentido, nada nadan nada, tudo acabou, e se isso foi falso, o que pode ser real???? nada nada nada . isso é sim um pedido de socorro, eu estou perdido, por favor alguém me ajuda

sábado, dezembro 14, 2002

meu blog já não é mais meu,
agora também não é mais seu. vou divulgar o endereço.

portanto, estreando o primeiro post do tipo..."o que vou fazer hoje?"

primeira opção: jantar aqui em casa com chef kiki e as meninas. massa, vinho branco e trip-hop.

segunda opção: a obra, bar dançante. ex-amigão discotecando, possível presença de ex-namorada. possibilidade de ex-namorada + novo namorado, ou pior: possibilidade de ex-namorada e ex-amigão serem namorados. e não seria o único casal que não quero encontrar lá hoje.

terceira opção: boate de strippers na antônio carlos, lá para os lados da pampulha. nunca fui nessas coisas. não combina com meu perfil de "eterno namorado", o qual atualmente odeio.

...

ficaria com a primeira opção, mas acho que é um programa tão bacana que pode esperar um dia que eu esteja sozinho em casa. pra aproveitar mais.

pra obra, eu não sei porque quero ir, mas ainda assim quero ir. mas tem essa vozinha, atrás da minha nuca repetindo, desde ontem: "para de se atropelar, para de se atropelar" algumas vezes é bom um pouquinho de raiva, com sorte pode virar indiferença.

acho que vou nas strippers curtir minha vida de solteiro. escolher um modelão bem cafajeste, cara de malandro...

não tem como não ser divertido! vou com o screw!

sexta-feira, dezembro 13, 2002

- é falta de amor próprio ou alheio?

- boa pergunta.

- não importa. o que importa é a diversão, essa é a nova lição. é como galopar de olhos fechados. você se lembra como se sentiu bem? lembra como foi livre?

- não sei. acho que confio mais no cavalo do que em mim. o cavalo não faria mal a si mesmo.

- não seja tão unilateral. nós dois sabemos que não é nenhum covarde.

- eu não tenho mais esta certeza. na verdade, certezas são o que menos tenho.

- isso é um personagem, não soa natural. não se parece com você.

- você sabe que eu concordaria, mas não posso. já não sei qual dos dois é o personagem.

- eu acredito que você sabe a resposta.

- mas não sei. sabia do homem e do lobo, mas não me sustenta apenas esta pespectiva. é simplória, e já não mais serve ou explica nada. sabe o que eu sei?

- não, o que você sabe?

- sei parte de mim precisa desse Isto para sobreviver, respira e se alimenta dIsto. a contraparte odeia.

- não vejo muita solução para o seu caso. você percebe que este é um sinal claro de esquizofrenia?

- qual?

- se dividir assim como você faz. mas principalmente, comunicar estas partes.

- não concordo, mas em parte. sou lúcido, infelizmente. a minha tentativa aqui é esboçar de alguma forma concisa dois aspectos de minha personalidade. dois aspectos conflitantes. o que quero que você perceba é exatamante isto: que essa classificação grosseira não me satisfaz, não me responde nada. absolutamente. concordo apenas quanto a natureza insolúvel do meu caso.

- correto, acho que compreendi. mas nós dois sabemos que não vamos a lugar algum com esta conversa, você é um perdido, um maldito e um torto...

- perfeita sua definição.

- ... e esta conversa não tem nenhum propósito. sei que apenas me responde pelo exercício de espírito, pelo jogo e pelo tédio. você não tem esperança alguma. eu estou certo?

- sim, está.

- não tenho mais sentido em ficar aqui. mas quero que saiba que o prezo muito, e me preocupo. quero que se cuide. se não por si, por mim ao menos.

- obrigado. vou me lembrar disso.

- eu te amo. você acredita em mim?

- acredito que é sincero. embora um pouco confuso.

- seria mesmo esperar demais.

- não seja tão dramático, ou vai acabar como eu.

- não vejo graça. de qualquer forma, preciso ir. tenho de trabalhar, você sabe. um de nós têm.

- não me provoque...

- não é provocação, eu te compreendo. até logo. e não se esqueça, eu existo apenas na sua cabeça, certo?

- vou me lembrar. bom trabalho.

realmente já não sabe mais nada. ideal seria se pudesse manter o espírito destes últimos dois ou três dias, mas não pode.

você sabe, que conseguiu: misturou tanto e tudo, brincou de cirurgião e deus. fez essa aberração, essa coisa viva e sem forma, que vive do seu sangue e vai te consumir.

dia após dia, cresce, crescem seus bulbos, espinhos e presas. vai tornar o que você sabe bem, vai te matar.

mas quem se importa?
just a reflection
just a glimpse
just a little reminder
of all the what abouts
and all the might have
could have beens
another day
some other way
but not another reason to continue
and now you're one of us
the wretched

the hopes and prays
the better days
the far aways
forget it

it didn't turn out the way you wanted it to
it didn't turn out the way you wanted it, did it?
it didn't turn out the way you wanted it to
it didn't turn out the way you wanted it, did it?

now you know
this is what it feels like
now you know
this is what it feels like

the clouds will part and the sky cracks open
and god himself will reach his fucking arm
through
just to push you down
just to hold you down
stuck in this hole with the shit and the piss
and it's hard to believe it could come down to this
back at the beginning
sinking
spinning

and in the end
we still pretend
the time we spend
not knowning when
you're finally free
and you could be (but it didn't turn out the way you wanted it to)
(it didn't turn out quite the way that you wanted it)

now you know
this is what it feels like
now you know
this is what it feels like

now you know
this is what it feels like
now you know
this is what it feels like (you can try to stop it but it keeps on coming)
(you can try to stop it but it)

(the wretched, NIN)

quinta-feira, dezembro 12, 2002

sim, o feijão caiu. ou o princípio da maleficiência.

ontem, 11 de dezembro de 2002, o ano maldito. uma noite chuvosa, morna e desagradável, um ar quente e pesado. elementos de mais um dia perdido e sem sentido. todo o cansaço e a fome vomitavam na minha cara a minha condição frágil de gente. sozinho, em pé, naquela cozinha bagunçada. problematizava as questões existenciais mais elevadas: o papel insignificante da minha vidinha medíocre, a grandiosidade dos pequenos eventos de cada a dia que desconstróem meu caráter e lapidam meu coração.

mecanicamente, abro a geladeira. cultivando uma inocente e estúpida esperança, essa pequena flâmula verde que carrego e teimosa persiste. tudo em vão. lá está deus, me pregando mais uma peça: não há nada, apenas feijão, arroz e resto de um molho bolonhesa. apenas outra pequena decepção, realmente nada frente o câncer que dilacera meu espírito.

como se toda a dor não fosse suficiente, a verdadeira catástrofe acontece: por um erro de engenharia, agregado a minha falta de habilidade natural, todo o feijão despenca e trasformando o aspecto do chão da cozinha em algo semelhante a uma obra de keith boadwee.

"uma verdadeira merda", penso, anestesiado por um estranho humor masoquista.

sempre fui desajeitado. todos os dias, toda essa mesma rotina mecânica: abro a geladeira, aqueço a comida no microondas e janto sozinho, ruminando todos estes 20 anos de desgraça que arrasto com os dentes. mas ontem era um dia especial: os problemas eram maiores, era maior o meu sofrimento. não me lembro de outra vez que o feijão tenha caído. seria sorte? seria esta uma centelha de compaixão do universo, de quem não posso camuflar minhas mais profundas chagas?

"ele já tem problemas demais, o pobre menino" diria deus.

mas não é verdade. se o universo conspira, este o faz para minha derrota e danação. todos os 20 anos sem que o feijão caísse são apenas matéria de contraste com o feijão que cai no dia mais infortúnio.

se deus existe, certamente me odeia.

quarta-feira, dezembro 11, 2002

escrever em merda na parede da minha casa:

FELIZ O CARÁLEO.

mentira, hehe

só pra parecer metaleiro.

mas a ideia que eu tive, era com lampadinhas pisca-pisca mesmo:

FODA-SE.

do lugar que minha casa fica, eu vejo quase todo o bairro, quase todo o bairro me vê.
nestes dois dias, toda a humanidade se divide:

de um lado, cegos celebram o novo ano, como se fosse realmente novo. todos bêbados de uma cumplicidade imbecil, uma fé sem rumo ou sentido. abafando suas pequenas angútias e melancolias em homenagem à esperança. o maior psicodrama coletivo que eu consigo imaginar. bilhões de imbecis conformistas.

do outro lado, os malditos. dividindo e multiplicando suas angústias pelo inconciente coletivo, assistindo e invejando os imbecis celebrando extasiados. estes são o pior tipo. não são simples imbecis. são imbecis desajustados, sem qualquer espírito.
tenho medo.

faltam duas semanas pro natal.

a partir de agora
isso que eu sinto
vai inchar
crescer
tomar forma

dia 24,
me devorar.

faltam três semanas pro reveillion.

dia 31 vou me olhar no espelho,
e pensar:

culpado.
acordei, um gosto de derrota e perda.

a cama, o quarto, não são os mesmos, nem a cidade. é tudo cinza, insaturado. eu, sou sépia e disforme. uma mancha ou um ruído flutuando sem vontade, entre o resto. sou coisa.

não me reconheço no espelho. esse não é meu cabelo, não tenho essa barba. não existe nenhuma harmonia, e nenhuma roupa serve.

o dia é quase absurdo, falta sentido e significado. não pode ser quase natal. há quase um ano, pintava meu cabelo de vermelho, vestia meu terno italiano e ia para a casa da rita. eu não sabia de coisas que hoje sei, mas sei que era uma pessoa melhor. eu tinha vínculos e me conectava ao resto; por dois anos, fui normal, fui feliz.

a vivi não sabe, mas eu não tenho mesmo salvação. eu não sei viver em outro modo que o da paixão. fecho os olhos e digo a mim mesmo: "tudo não passa de um filme francês" dez vezes, mas nada adianta. quando abro, continuo personagem de shakespeare.

ó, que trágico eu sou. que merda.

...

no caminho para um trabalho, vi este menino perdido, de preto, esperando ônibus na chuva com uma camisa do systers of mercy. que inveja.

naquela idade até sofrer era mais fácil.

terça-feira, dezembro 10, 2002

muito corrosivo hoje.

são posts engasgados.
MRS. BLAISE
(continuing)
Would anyone care to read theirs aloud?

No one moves. Then Kat slowly stands up.

KAT
I'11 go

Patrick looks up.

MRS. BLAISE
Oh, Lord.

She downs a couple Prozac

MRS. BLAISE
(continuing)
Please proceed.

Kat stands, puts on her glasses, and takes a deep breath
before reading from her notebook.

KAT
I hate the way you talk to me/ and the
way you cut your hair/ I hate the way
you drive my car/ I hate it when you
stare.

She pauses, then continues

KAT
(continuing)
I hate your big dumb combat boots/ and
the way you read my mind/ I hate you so
much it makes me sick/ it even makes me
rhyme.

She takes a deep breath, and looks quickly at Patrick, who
stares at the floor.

KAT
(continuing)
I hate the way you're always right/ I
hate it when you lie/ I hate it when you
make me laugh/ even worse when you make
me cry/ I hate it that you're not
around/ and the fact that you didn't
call/ But mostly I hate the way I don '
t hate you/ not even close, not even a
little bit, not even any at all.

She looks directly at Patrick. He looks back this time.
The look they exchange says everything.

Then she walks out of the room The rest of the class remains
in stunned silence.

(TEN THINGS I HATE ABOUT YOU, written by Karen McCullah Lutz & Kirsten Smith)

eu sei que é bobo e superficial. mas eu adoro enlatados açucarados e românticos.
um quiz, onde sou uma das respostas possíveis!

respondi as perguntas, que não eram assim tão óbvias, e descobri que eu sou eu mesmo (falta de graça)...


Qual integrante da extinta ::mystres é você?
Descubra, visitando o Lab.2.


na festa sábado, um colega se fantasiou de mim. com direito a maquiagem, lencinho no cabelo, sobretudo e até mesmo ganchos de papel alumínio colados nas costas com durex.
muito engraçado! fiquei lisongeado.

teve ainda a renata.

a renata é _________. das pessoas mais lindas que eu conheci, nesse um terço de minha vida.

divertimos, dançamos, conversamos.

e beijamos, um beijo morno e carregado de significados.

e conversamos mais, e mais. e mais. e chorei, pois contamos tudo um para o outro.

e ela me entendeu, e me perdoou. e me levou pra cama, tirou minha bota. bêbado e exausto.

é minha amiga de verdade, me tem.

...

e é esse contraste o combustível e matéria da minha revolta.

hoje, se minha vida tivesse tomado outro rumo, faria 2 anos e 5 meses de namoro. durante caminho para o trabalho, pensei muito em o quanto mudei ao longo destes 6 meses solteiro.

tive uma constatação que me surpreendeu, mas que apenas agora, com uma perspectiva mais objetiva e fria sobre toda a estória, é possível: dois anos e namoro foram tempo suficiente para que uma namorada tão crítica estrangulasse meu ego. essa é talvez a única verdadeira vitória pessoal, de todo um ano merda.

estou reaprendendo a me respeitar. e cultivar ao meu lado quem gosta de mim.

eu sei que as pessoas gostam de mim, e algumas gostam muito até. mas nem todas me respeitam, ou são tão sinceras quanto prometem com os olhos. eu não sou mais dessas pessoas. essa é a resolução definitiva do homem que sou hoje.

porque tenho este orgulho, que é pouco menor que meu coração. e em situações como estas, é uma ferida aberta. dói e incomoda, pra me lembrar que existe. pra me cobrar uma atitudde. se cutucam mais e mais, mais e mais inflama e incha.

de uma coisa dessas não se pode esperar nada, só pus.

segunda-feira, dezembro 09, 2002

isso não vai no meu peito,

mas merece um silk numa camisa:

à venda

cansei, de tudo.

ao menos por hoje.

sexta-feira, dezembro 06, 2002

rock'n'roll, do melhor tipo.

topetes, costeletas, cerveja e muito swing.

não te contei, mas aprendi a dançar com rockabilly, em bailinhos, festinhas de 15 anos.

antes disso, só aula de lambada aos 10 ou 12, não me lembro.

quinta-feira, dezembro 05, 2002

colocaram ar-condicionado na sala da autoria, que é logo ao lado da minha.

há dois dias que o que mais eu escuto aqui é piadinhas sobre o calor da minha sala...

- Oi terceiro mundo...
- Oi primeiro mundo.
- Vim aqui visitar vocês nesse buraco escuro e quente....

buraco escuro e quente? isso me lembra outra coisa, e sei que você também pensou o mesmo.

sim, a obra.

acho que vou na obra hoje, ver essa banda de rockabilly, hot rod combo.

Quinta, 05
hot rod combo (BH, rockabilly, músicas próprias e versões de clássicos do rockabilly)
DJs da Associação Reverb Brasil (rock, surf, rockabilly, oldies etc.)
Horário: 22:00h - entrada: R$ 5,00

eu: "...pensando em fazer uma tatuagem."
ela: "nunca. jamais. você tá ficando louco, Marcello? você sabe que eu não concordo, bla bla bla.."
eu: é um coração, com foguinhos, escrito "mamãe" em uma faixinha. porque você é a única mulher de toda a minha vida.
ela, brava e feliz, esforçando em engolir o sorriso e a surpresa: "...mas, é, você sabe que eu não aceito tatuagens... e..."
eu: "então tá. o dia que eu fizer, eu te mostro!"

dizia esse professor de teatro, fodíssimo por sinal:

- terapia é assim mesmo. você fica meses, talvez anos até descobrir seu amor ideal por sua mãe. é aí então, que a terapia realmente começa.

eu economizaria uma grana. pode acrescentar na minha listinha de excentricidades psicológicas: complexo de édipo.

feliz vou ser quando encontrar uma mulher tão foda quanto minha mãe.
brincando de pesquisar letrinhas de música e cantarolar, enquanto copiam cd no meu pc...

putz, espero nunca ter de postar that's what i get do NIN aqui!

quarta-feira, dezembro 04, 2002

- ...prender o cara, e pá, e fica assim.grr..frrsasfger andando por aí. não fazem nada mesmo.
- como?
- os caras aí, roubando, matando, ninguém faz nada mesmo... os polícia..
- mas, você foi assaltado?
- olha pra você ver: o tal do beiramar: todo mundo sabe onde o cara tá, e o cara mata lá de dentro....
- ahm, é, tchau..

isso foi um diálogo nada linear, com um desconhecido bem espontâneo, enquanto atravessava uma rua no centro hoje. gente, ô lugar estranho, o centro da cidade.

aproveitei o início das férias e fui comprar quinquilharias (recebi ontem a grana do mês passado), pra fazer umas pulseiras novas de couro (dei todas que eu tinha. de novo.), e para a minha fantasia da festa do dia sete. vou de doente mental! com direito a camisa-de-força do-it-by-yourself. inspirada naquele clipe da bjork.

na loja onde comprei os retalhos de couro, uma mulher puxou conversa. como se nos conhecêssemos por toda uma vida. pegou meu telefone até. disse que a gente tem de ser assim, pra enfrentar esse mundo ruim.... mas isso não é tudo. andando na rua, deixei cair dinheiro e um cara me avisou (em pleno centro da cidade).

um pouco mais a frente, um velhinho de uns 60 anos, que quase esbarrei. usava uma camisa velha e surrada, com um silk à mão, quase apagado. era o rosto de um homem, possivelmente o próprio que a usava, quando mais moço. ao lado, em garranchos: "idiotas são os que não amam."

são essas as coisas que levam as pessoas a desacreditar na coincidência, ter fé em áura e destino. vivo agora uma conspiração, e todo o mundo quer me dizer uma coisa, e todas as coisas são todas por/para mim. sou todo o centro de uma engrenagem tão delicada quanto complexa, todos os movimentos se ajustam aos meus. são todos os movimentos que deveriam ser.

começou sexta, a vida saudável. chutei o balde, desisti de ser gente por aquela noite. dancei horrores, com minhas amigas. fiz quase tudo que queria ter feito. fui livre, foi bom.

sábado e domingo, esqueci o resto da minha vida. andei a cavalo, nadei em lagoa, comi fruta no pé.

segunda, encontrei a laura, e as rúculas do Santo Antônio. já estou com saudades de todas elas. saudades da minha vagina amiga.

sobre a minha vagina amiga: é uma pusta relação em potencial. aquelas pessoas interessantíssimas, que me dão prazer enorme de ouvir, de trocar figurinhas. o melhor tipo de amiga que pode ter, aposto. eu a adoro com antecedência. sem reservas.

sobre a ju: tenho com a ju, uma mesma sensação que tenho quando trent reznor ou thom yorke falam qualquer coisa. ela é melhor do que eu, existe membrana transparente e viscosa entre nós dois, que cede, mas nunca arrebenta. ela sabe as coisas que eu não sei, e sempre vai saber mais.

ah, esse post vai morrer aqui, incompleto.

terça-feira, dezembro 03, 2002

My little girl
Drive anywhere
Do what you want
I don't care
Tonight
I'm in the hands of fate
I hand myself
Over on a plate
Now

Oh little girl
There are times when I feel
I'd rather not be
The one behind the wheel
Come
Pull my strings
Watch me move
I do anything
Please

Sweet little girl
I prefer
You behind the wheel
And me the passenger
Drive
I'm yours to keep
Do what you want
I'm going cheap
Tonight

You're behind the wheel tonight

segunda-feira, dezembro 02, 2002

...
Sister of night
In your saddest dress
As you walk through the light
You're desperate to impress
So you slide to the floor
Feeling insecure

Sister of night
With the loneliest eyes
Tell yourself it's alright
He'll make such a perfect prize
But the cold light of day
Will give the game away

Oh sister
Come for me
Embrace me
Assure me
Hey sister
I feel it too
Sweet sister
Just feel me
I'm trembling
You heal me
Hey sister
I feel it too

(sister of night, depeche mode)

sexta-feira, novembro 29, 2002

logo que apresentei hoje em meu projeto final de design:



ando meio monotemático.
nossa! 4 posts falando de quatro meninas diferentes. seguidos.

eu não estou me reconhecendo.
beijo.

minha professora de design hoje me deu um, muito próximo à boca. foi bom.. como ela segurou em meu rosto. disse ainda:

- só vou na festa se o freak for.

a festa à fantasia da turma dia 7. freak, disse ela que sou eu.

nota: ela não é branquela, magrela, não tem o cabelo curto nem avermelhado. e também não é louca, aparentemente.
pelo contrário: é divertida, responsável. loira, do cabelo liso e escorrido, olhos azuis e pele dourada. uma gracinha. nossa diferença de idade é de 7 anos: não é mais menina, é mulher.

vai ver é disso que eu preciso.

quinta-feira, novembro 28, 2002

ontem reencontrei com essa,

que acho interessantíssima, linda, e não tem nada que aponte que me faria sofrer. pena que não lembro o nome.

ainda assim, talvez haja esperança.

eu não consigo esquecê-la.

todo mundo sabe, todo mundo diz, que não é ela, que nunca ia dar certo mesmo.

mas a verdade, é que morro de saudades dessa que nunca vai ser minha, pois é de todos. nossa, como eu sinto falta.

acho que preciso de terapia. sei que sou adepto de auto-análise, e normalmente duvido muito que alguém entenderia melhor que eu o que se passa na minha cabeça.

mas não sei, e queria saber, se complicação é critério pra eu gostar de alguém. tudo bem, atravesso ganchos, agulhas, lâminas pelo meu corpo. gosto de uma unhas e dentes afiados. mas será que sofro de algum tipo de masoquismo psicológico?

acho que dor física me alivia de dor psicológica. é superação, perversão, auto-subversão, quebra de limites, estímulos extremos, violação dos sentidos. e tenho a faca na mão; eu controlo. eu quero.

mas a outra dor, não tenho nenhuma defesa. e não aceito assim tão fácil que busco isso pra mim. não faz sentido. é muito mais do que sei que posso lidar.

já leu lobo da estepe, de Herman Hesse? tem esse conceito de suicida, não como um alguém que toma uma resolução definitiva, mas sim aquele que sabe que existe a possibilidade real, como uma solução alternativa. não acho que me mataria.

uma vez tomei todos aqueles remédios, mas vomitei no meio da noite, enquanto dormia.

na outra, cortei sobre minha veia em vários lugares diferentes. quando acreditei que a quantidade de sangue era muita e que ia morrer, estanquei o sangue com uma toalha de rosto.

não acho mesmo que me mataria.

da mesma forma, não busco todo esse sofrimento. posso sim ser incapaz de lidar como uma pessoa normal. e realmente, não pretendo. gosto da vida intensa, todas as cores da paleta. gosto dos momentos perfeitos, como eles deveriam ser todos. um final perfeito é melhor que uma continuação estúpida e irreal.não quero sorrir, quero é ter motivo pra sorrir, e a diferença é enorme de um para o outro. eu me odeio profundamente quando sou de outro jeito que não esse.

e ainda não desisti. eu só não sei o que fazer. essa insegurança do tamanho de um trem. fui só mais uma história, das mais breves aposto. ela é de todos e ninguém. são muitos compromissos, que não valem todos juntos por nem um.

seria muito mais fácil se a odiasse.
- Quem passou o esmalte nas suas unhas?
- uma amiga.
- que amiga?
- você não conhece. por que quer saber?
- porque eu vou bater nela.
- não vai nada, eu não vou te falar quem é, rá rá!
- ah é? então pede pra sua amiga tirar esse cravo horrível do seu nariz!

ah, fiquei feliz! tudo bem, minha mãe é ciumenta e isso as vezes me enche. semana passada ela veio com esse papo de que sou galinha, porque não estou mais dormindo em casa. mas hoje no carro foi legal. me senti protegido! vou mandar minha mãe bater em todas as meninas más! ke ke ke

-hey, você é a menina louca que ta fazendo o meu filho sofrer é? então toma! pof! tum! soc!

quarta-feira, novembro 27, 2002

acho que estou desempregado.

me fudi aqui na uni.

azar no amor, azar nos negócios...
she's looking at you
so maybe you're looking too
do you want to be her
or don't you?
of course you do
but would she be you?
Ladybird, ladytron

once there was a young girl
but old enough to know, girl (?)
went by the name of Ladybird

charmed you with the one hand
and broke you in the next hand
then she'd be gone out of your life

if you've got time (if you've got time)
and you're ever to change her mind (to change her mind)
you'll need more than a glass of wine
she's not that kind of girl

you'll never win (you'll never win)
'cause she leaves when you think you're in (think you're in)
doesn't care if it's her or him
she's not that kind of girl

warnings are the cross (?)
no no, no, nothing more or less
she slept with the thought of Ladybird

everywhere you see her
her new possession with her
more than they're not listening to you

if you've got time (if you've got time)
and you're ever to change her mind (to change her mind)
you'll need more than a glass of wine
she's not that kind of girl

you'll never win (you'll never win)
'cause she leaves when you think you're in (think you're in)
doesn't care if it's her or him
she's not that kind of girl

segunda-feira, novembro 25, 2002

ok, eu sou um borderliner.

o problema é até onde vai a borderline: cada semana eu me provo capaz de ir mais e mais distante do ordinário.

barba por fazer, cabelo bagunçado, com sono, ressaca, sangue na camisa, e bolhas sob a pele. estou altamente disfuncional e intoxicado. perigosamente auto-destrutivo. mal sinto esse corpo como meu. me vem à cabeça aquela cena do escritório de clube da luta, o modo como meus chefes e colegas de trabalham olham pra mim hoje, agora.

começou sexta: fomos na end-up, para ouvir enjoy.

a end up é uma boate gay que fica na savassi, próxima a contorno. o público é quase todo composto por homens gays, 30/50 anos, com fetiche por menininhos de esmalte.

enjoy é uma banda excelente de technopop e adjacências, com covers que vão do arqueozóico kraftwerk até uns indies mais recentes como radiohead, recheado sempre por muitos depeche modes. a melhor coisa que já ouvi ao vivo depois de pato fu.

divertidíssimo! quem apresenta os espetáculos é uma drag com vários números preparados, sempre provocando o público. já o show começou morno, acho que os meninos não estavam a vontade com as brincadeiras da drag. mas a medida que a pista enchia, o som encorpou, e eu dancei horrores. acho que fiz sucesso com os titios, não tem como ouvir depeche mode e não dançar bem viadinho! é a melhor parte! tocaram tainted love do soft cell (vou postar a letra, é muito significativa), uma versão extendida de enjoy the silence e até atenderam a pedido meu, com a rush. sei que sábado tocaram de novo, mas sábado eu tinha compromisso... sábado que vem, outro show, no mesmo lugar. se eu não for pra fazenda da renata, estarei lá.

sábado foi um dia pesado. fui à contagem, num bairro cheio de fábricas fumacentas, galpões antigos, sujos de fuligem e sucateiras. surreal. me senti em um cenário de mad max.

almocei uma marmita de mexidão e feijão tropeiro em um barzinho copo sujo, e até agora sinto as consequências. à tarde, trabalhamos produzindo esse livro, desse trabalho final dessa tal matéria produção de livros. ficou muito bom, e estou apaixonado com macintoshs. meu trabalho rendeu muito mais! se eu tivesse um daqueles, economizaria horas e horas de trabalho.. e aquele mouse com infra vermelho, que lazerrrr pra desenhar... quando descobrir um servidor gratúito que funcione pra colocar minhas imagens online, posto a capa do livro. à noite, uma cervejinha noutro barzinho, com direito a chuva, frio e caldo de feijão.

acordei domingo arrasado. tive o pior pesadelo da minha vida.

estava nessa festa, no apartamento novo da rita. lá estavam também a família dela e a minha. não conseguia comportar normalmente, me sentia sujo, e todos percebiam que eu estava ficando louco. completamente neurótico e paranóico. me despi na frente de todo mundo e corri ao banheiro pra me lavar. quando esfreguei minhas costas, descobri que a pele estava completamente podre e necrosada (bem onde eu atravesso os ganchos). era uma carne preta e vinho, viscosa. não havia como limpar, pois aquilo era parte de mim.

então a rita me chamou ao quarto, e me disse coisas doces, abriu o coração, como um dia ela já foi. e eu não resisti, e comecei a chorar. Nesse momento chegou um cara lindo, o novo namorado dela, e os dois riam, me humilhavam e trepavam na minha frente.

o sonho continuou, tão ruim ou pior. eu não vou descrever detalhes pra ver se consigo esquecer. sei que quando acordei (numa puta crise de rinite e com dor de cabeça), com aquela mancha desconhecida no teto, naquele quarto estranho, sentei na cama e fiquei um bom tempo calado, assustado, e quieto, tentando desgrenhar aquele sonho ruim do meu cabelo.

atravessei a cidade chorando no ônibus. em casa, mal tive tempo de tomar uma ducha e comer três salgados horríveis descongelados no microondas. estava atrasado pra body suspension no estúdio do gastão.

cheguei lá passando muito mal, estômago, cabeça, todo o meu corpo estava vivo, girava, mechia e remechia.

suspendi primeiro, com quatro ganchos de quatro milímetros, que doem muito mais que os de seis. a dor é impressionante, maior do que eu esperava. todo o peso que não sentia em mim, sentia no meu aparelho digestivo, era como se a qualquer momento minha barriga fosse abrir e eu fosse me expor vísceras pro mundo. dor dor dor dor. aos poucos a adrenalina transformava em raiva, e fui superando meus limites. consegui levantar os braços, as pernas e até me balancei bem alto. minha pressão sanguínea era uma verdadeira montanha russa.



brincamos com ganchos até a noite, quando decidimos tomar cerveja. uma das loucas da minha vida apareceu por lá. uma dessas que veio com esse papo de sexo hardcore. a paula.

mas a outra louca está certa, eu preciso de colo. eu sou patético. eu quero sexo, eu quero lazer for fun, mas não é a coisa mais fácil pra mim. me envolvo com as pessoas, e tenho uma tendência natural a me sentir um objeto, um brinquedo quando percebo que quem está comigo está tão mais na superfície.

acabamos na casa da lili, todos no sofá. o zumberto acabou ficando com a paula, que continuou me acariciando de um jeito estranho, em lugares estranhos.
do outro lado, o felipe e a vivi quase trepando. o zé e a paula foram embora, a lili foi tomar banho, e fiquei sozinho na sala do lado daquele quase sexo explícito.

foi um saco. aquilo me fez muito mal. eu me senti extremamente sozinho.

[esse pedaço desse post foi censurado, dia 4/12. não posso ser tão explícito com o nome dos outros]

mulher é mesmo foda. em todos os sentidos e significados.

sexta-feira, novembro 22, 2002

sua inconstância
impulsividade
desconsideração.


sua pele branca
seus olhos grandes
a pinta que enfeita
sua boca pequena.


seu calor e seu gosto.


mas principalmente,

por sua ausência.

porque não há alternativa,
eu te odeio.
pedaços de namorada, é o que tem agora.


é um processo tão delicado e frágil (principalmente frágil) o relacionamento. são todas as palavras, cheiros, sabores, escolhas exatas. a lambida, e a mordida certas. as duas.

mas agora você está sozinho de novo.

fez tudo o que conseguiu imaginar, que pudesse mudar alguma coisa. mas nunca vai chegar ao quadro final, não existe o grande plano nem a luz no fim, nunca. a proposta é prosseguir sempre, nunca encontrar nada.

e você continua andando em círculos, um moribundo aleijado e estúpido. embriagado com fantasmas e maldições. seu passado não existe, sequer em você, pois agora tudo são sombras e poeira velha pra irritar seus olhos e pulmão. vai adoecer e se tossir aos poucos.

apostou a alma que nunca teve em tudo o que era mais certo e garantido: por um momento não foi medíocre. mas agora tudo o que aprendeu, depõe contra você. antes era só um ignorante. agora é um desiludido, sem fé e espírito. ficou o espaço, o branco e o frio.

ela? ela esta bem melhor que você. já se construiu mais uma vez. por inteira, tenho certeza.

você? tudo o que você tem são esses pedaços, que vem e vão com a chuva.
agressivo, ansioso e muito tarado.

tanta raiva contida. tanta.

o instinto contido, uma puta vontade de violar.

cheiro de sexo e sangue.

invadir meu antebraço com a colher, bem devagar. experimentar (mais uma vez) a gordura amarela, de manteiga sem sal.

sabor morno de ferro, a ponta da língua. as fibras do músculo se partindo. tendões e veias.

nervoso, nervoso pra caralho.
muito café. muito mesmo.

um puta impulso de morte.

as unhas dentro, bem dentro, no peito. romper a pele aos poucos, violar meu tato, o mamilo esquerdo. me sentir carne, suja e feia. sangue e gordura, branco, amarelo e vermelho.

ser coisa.
coisa morna, viscosa. viva?

um monte de proteínas ordenadas em tecidos quentes e úmidos.
um monte de excrementos e reações químicas.

e hormónios. muitos.

todos são cheiros e gostos diferentes dos meus.

hoje, tou perigoso como uma mulher.

tou lobo da estepe.

vida de solteiro é muito perigosa.

terça-feira, novembro 19, 2002

certo. criei um blog.

não queria cair no lugar comum de começar meu blog justificando seu porquê. mas não tem remédio, não tenho essa resposta, e talvez escrevendo chego a algum lugar.

esse blog não é para você. não quero o compromisso de escrever pra ninguém, até porque isso não sei fazer. portanto, tenho toda a liberdade de ser ridículo. e incoerente.

esse blog é para mim, e não pretendo divulgar seu endereço pra ninguém que possa se preocupar comigo.

no terceiro período, tive um professor que dizia que escrever é uma ação conjunta: quando se escreve, pressupõe-se que alguém vai ler, o que torna o leitor presente quando seus critérios são parâmetro do escritor.

não faço idéia de quem possa ler o que escrevo, e tampouco sei me fazer claro o suficiente que me agrade. sinceramente, nem me entendo. e se este deve ser um exercício egoísta, não me importa que o resultado seja confuso, desinteressante para você. não me importo com o que você pensa (ou, é isto o que quero).

que seja uma catarse. um canal de desabafo. claro que espero que alguém leia sim, mas nenhum compromisso com quem vai fazê-lo.

acho ainda que me expresso melhor por desenhos e cores. em breve monto um novo layout que comporte melhor outros recursos.

não devo escrever com freqüência, pois o modem do meu quarto queimou, e em meu serviço não posso dedicar a concentração e atenção que preciso para escrever. mas pretendo fazê-lo no mínimo uma vez por semana, aos domingos.

talvez assim desenvolvo uma escrita menos truncada, com um pouquinho de poesia /:

não sei o que você pensa sobre tudo isso, acho que comecei muito amargo. tô naqueles dias. quebrando um pouco o gelo, a meaninfull lyric inaugural do meu blog:

reptile, nine inch nails.

she spreads herself wide open to let the insects in.
she leaves a trail of honey to show me where she's been
she has the blood of reptile just underneath her skin.
seeds from a thousand others drip down from within

oh, my beautiful liar.
oh, my precious whore.
my disease, my infection.
i am so impure
devils speak of the ways in which she'll manifest.
angels bleed from the tainted touch of my caress
need to contaminate to alleviate this loneliness.
i now know the depths i reach are limitless

[srteam]

domingo, novembro 17, 2002

não me lembro de todo o fim de semana. sei que foi cheio de desencontros e álcool, como todo o resto de minha vida, hoje.

fiquei sozinho. minha família foi para a fazenda, e me deixaram uma casa bagunçada. tive preguiça de arrumar tudo e dar uma festa, então decidi ir à savassi quinta. um dia perdido: não aconteceu nada bom, chorei na rua e decidi voltar pra casa mais cedo.

de sexta não me lembro...

sábado, acordei com ressaca, ansioso e sozinho. escrevi "toy boy" no meu peito, mas ficou muito raso. é muito difícil o lugar que escolhi, não dá muito ângulo de visão... não quero mesmo isso em mim por muito tempo, mas ficou tão fraco que vou pedir pra alguém fazer de novo.

precisava de ar fresco, fui pra savassi tomar cerveja com as meninas. animamos de ir pro sítio do breno, mesmo sem o puta, que tava com a maria. a vivi tava sofrendo por isso. começou a chover muito, decidimos pela casa do breno, pra esperar a chuva passar. a chuva não passou. acabamos fazendo a festa na minha casa, no fim das contas.

a vivi usou alguma coisa, e começou a suar frio, até chorou no meu colo. fiquei preocupadíssimo. ela não tá nada bem. eu não posso ajudar muito. falou sobre escolhas, fé, krisha. ela tem um olho lindo, tão extremamente sincero, que me lembra uma criança falando. as mãos suavam frio e muito, e ela chorava com todo o rosto. ensopou minha camisa. eu achei lindo, tudo. a vivi, tão branca, pequena, frágil. todo aquele suor e lágrimas, sem cheiro. tão fria. tão intesa. fiquei angustiado. me pediu que olhasse nos olhos, bem no fundo dos olhos. e os olhos são de um castanho claro, quase um mel, e verde no meio. os cílios mais escuros por causa das lágrimas, como rímel. parecem mais redondos por causa das sombracelhas. me impressiona como arquea as sombracelhas.

breno, ronnie e lili começaram a dançar na sala. drum and bass, pancadão, até kelly key (é assim que escreve?), e a lili fez uma performace super divertida! animei, com a vivi, e dançamos os cinco loucos na sala. tomamos banho de mangueira no quintal, dançamos na nossa própria chuva. de madrugada. o som tava alto pra caralho, fiquei impressionado de nenhum vizinho ter ligado. foi um momento que não se esquece nunca, mesmo que se esqueça o nome das pessoas. dormimos juntinhos, na minha cama eu a vivi e o ronnie, breno no chão. lili foi embora preocupada com a mãe, disse que sente coisas. acordamos como família, fizemos macarrão, que tava uma delícia. talvez porque era o nosso macarrão, que compramos, fizemos e comemos juntos. tudo bem que o molho ajudou.


encontramos com o puta e conheci a aline, na casa do ronnie. um doce de menina. nadei, bebi, comi até carne crua, igual bicho. sem tempero é bom. à noite, fiz da piscina coberta um colchão d'água, sob a lua. lá conversei com a aline, que me lembra muito a minha prima mariana. combinamos eu, ela e a vivi de ir em uma sessão de tantra numa sexta próxima qualquer. eu não sei se quero ir, sei lá onde isso pode terminar... a noite, o infeliz do puta chamou a maria pra ir pra lá. foi a coisa-sem-noção do fim de semana. a vivi ficou muito chateada, chorou ainda mais do que no dia anterior. bom que o puta teve o bom senso de ir embora com a maria antes dela subir. eu imagino como a vivi ia ficar triste de ver o cara que ela gosta com outra pessoa.

eu sei que ela sempre soube de tudo, mas a gente se prega peças. eu acreditava que eu poderia lidar com isso, ela, que poderia mudar ele.


todo mundo errou, todo mundo perdeu.